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Eu pago caro pela Arte

 

 

Eu pago caro pela Arte

Nestes últimos dias, encontrei-me em uma situação inesperada e polêmica, a partir de um simples comentário em um site.

Não sei se todos estão familiarizados com as super-produções de musicais da dupla de diretores Charles Moeller e Cláudio Botelho, então vai aqui um résumé: São os mesmos que fizeram aqui no brasil uma infinidade de versões teatrais musicadas, como Noviça Rebelde, Gipsy, O Despertar da Primavera, Beatles num Céu de Diamantes, Violinista no Telhado, Avenida Q, Hair...

Enfim, voltando à história: estava eu lendo uma notícia no site deles sobre a ida do musical Hair, considerado espetáculo ícone do movimento hippie americano nos anos 60, pra São Paulo, em janeiro de 2012. Decidi colocar um comentário sobre a importância das mensagens passadas por Hair, tais como a liberdade, o amor ao próximo, a paz acima de tudo, e como eu acreditava que deveria ser cobrado um valor menor pelo ingresso, para que assim uma maior quantidade de pessoas pudesse ter acesso a essas mensagens. Eis o que o diretor Cláudio Botelho me respondeu:

 

 

Olá, Rodrigo: eu sou particularmente contra o barateamento dos ingressos, pois ninguém barateia outros produtos como cinema, roupas, perfumes, entradas em boates, etc… [...]

 

 

Se já lançamos nosso produto a preços muito baixos, nós o estamos desvalorizando. Passei anos da minha vida economizando centavos pra poder comprar Lps, livros etc. Acho legal o público de teatro saber que aquilo tem um preço, e que pagar este preço faz parte do prazer de assistir.
Enfim, é minha opinião pessoal…
Eu sou radicalmente contra o assistencialismo na cultura, os ingressos a preços baixos de espetáculos alternativos, e o excesso de descontos. Isso desvaloriza a arte, no meu entender.”

 

 

Desde então, a discussão tem gerado uma grande polêmica. Para minha surpresa, muita gente acredita que um preço alto de um ingresso garante a qualidade do espetáculo. Que apesar dos patrocínios e da lei de incentivo à cultura, isso não é suficiente para cobrir os custos de uma grande produção. Que diminuir o preço é desvalorizar o artista de musical. Uma comentarista enviou a exímia frase: “se vc tem grana pra comer caviar, come, se não, fica na mortadela”.

Desde a Pop Art, tem-se lutado para que a arte possa alcançar a todos da sociedade e deixar de se restringir a uma elite cultural/social. O artista de rua Gejo, entrevistado pelo Arte|Ref, já provou com sua Free Art Fest que é possível criar formas para diminuir a barreira que existe entre a camada popular e a arte. Mas talvez haja uma quantidade grande de pessoas que pensa de outra forma, acredita que arte tem que ser cara para ter qualidade, que ela só será valorizada se as pessoas pagarem por ela e, o mais surpreendente, que só pode ter o privilégio da arte quem pode pagar por ela.

De que lado você está?

 

A discussão pode ser conferida no link: http://www.moellerbotelho.com.br/arquivos/19988

 

 

 

Rodrigo C O Correa